A Comunidade Fanuel – Rosto de Deus,  identifica-se com as Novas Comunidades nascidas sob o impulso do Concílio Vaticano II, sendo constituída essencialmente por fiéis católicos, celibatários e casados, que se dedicam na expansão do Reino de Deus, procurando imitar ao máximo o estilo de vida das comunidades da Igreja primitiva, vivenciando os valores da vida fraterna, da partilha dos bens, da intensa vida de oração, das reuniões nos lares, da evangelização, bem como no compromisso ativo de serviço de anúncio e caridade, sobretudo aos mais pobres.

O surgimento da Comunidade é o fruto concreto do desejo de seus iniciadores, que desde a juventude procuraram cultivar o ardor missionário, que os levou a servir a Deus na vida paroquial por vários anos, trabalhando com o anúncio e a catequese em algumas pastorais e movimentos de caráter piedoso e evangelizador.

O Grupo de Oração Leão de Judá
Mas foi particularmente a partir de 1994 que o iniciador passou a identificar os sinais do chamado de Deus. Isto porque tomou conhecimento da urgência da missão evangelizadora, sobretudo após a leitura do Decreto Ad Gentes do Concílio Vaticano II, que o fez perceber que poderia fazer mais pela instauração do Reino de Deus, em preparação do advento glorioso de Jesus.

Esta inquietação e ardente desejo de evangelizar os homens do nosso tempo motivou-o a tomar iniciativas concretas para testemunhar a Cristo. Nesta época iniciou um grupo de oração paroquial que, além das reuniões ordinárias, passou a realizar periodicamente eventos querigmáticos e cursos de aprofundamento da fé, vindo a reunir algumas pessoas, que compartilhavam de seu ardor.

No final de 1996 o núcleo do grupo de oração percebia os frutos de tal apostolado, que começavam a se expandir além da paróquia, colocando-os em missão para outros irmãos, saindo e anunciando a Palavra de Deus. Além disso, era grande entre eles o senso de fraternidade e comunhão e o desejo de uma maior entrega pela evangelização.

Este testemunho ia deixando bem claro para o iniciador que o chamado de Deus para sua vida estava começando a realizar-se. Foi então que sentiu-se livre para compartilhar com todos algo que carregava desde 03 de dezembro de 1995, data em que a Comunidade considera sua fundação.

Aliança, aliança… o apelo divino
Na ocasião, estando em oração na capela do Santíssimo da Paróquia Santa Joana D’Arc, em Santo André, experimentou de uma forma singular a presença do Senhor e lhe pareceu poder contemplar em sua mente a imagem de uma igreja (templo) feita de pedras, que o fazia intuir que era preciso construir uma comunidade feita de pedras sobre pedras. Sem compreender o que estava se passando, questionou aquele direcionamento, considerando sua incapacidade. Então, percebeu lhe parecer claro que aquela experiência fazia concordância com a vontade de Deus de que a Igreja seja feita de pedra sobre pedra, sendo estas, pessoas humanas inseridas no Reino para vivenciarem com mais radicalidade a consagração batismal, conforme indica S. Pedro em sua primeira carta, no capítulo 2, 4-10. Ao término deste incidente, sentia ecoar no seu íntimo a palavra “aliança”, que o manteve pensativo a partir de então.

Em 1996, vindo a refletir mais seriamente sobre sua caminhada até então, os passos dados na evangelização, o testemunho de comunhão daqueles que o acompanhavam, começou a entender que o chamado de Deus para ele era a vida comunitária como oferecida pelas chamadas Novas Comunidades.

Recém-casado, iniciou um itinerário longo de discernimento acerca desta moção interior, que o fez conhecer, juntamente com sua esposa, algumas Comunidades Novas do Brasil, vindo a pensarem que Deus os chamava a alguma delas. Começaram a ler a este respeito e junto com alguns jovens, com quem tinham maior intimidade para partilharem sobre o desejo de uma vida evangélica mais radical e um maior empenho missionário, foram se abrindo à voz de Deus por meio da oração.

Fanuel, mais que um nome, uma missão
Foi assim que assumiram a palavra Fanuel como uma inspiração para iniciar a Comunidade (cf. Gn 32, 24-30). Na experiência mística do patriarca Jacó, em que até o nome lhe foi mudado, compreenderam a vocação da Comunidade, suscitada para, a partir do encontro com Deus, na contemplação orante, revelar a Face misericordiosa do Pai, pelo anúncio da Pessoa de Jesus Cristo, na contínua vivência fraterna.

No mês de março do ano seguinte, o iniciador comunicou a todos seu discernimento e propôs a abertura de uma casa dedicada à evangelização, que trouxesse o nome Fanuel e servisse como centro de atividades evangelizadoras, formativas e administrativas da Comunidade.

Encontrando respaldo nos irmãos, como também no Pároco, padre Argemiro Gordiano de Sá, em 30 de junho de 1997, após missa celebrada com este fim, surgia um centro de atividades da Comunidade Fanuel, com a abertura da primeira casa de evangelização, próximo à Igreja paroquial, uma vez que a primeira motivação era auxiliar diretamente na pastoral da mesma.

Ali o Senhor foi marcando com sinais perpétuos a vocação da Comunidade. Na oração comunitária de todas as manhãs os membros foram desenvolvendo o gosto pela vida de oração e conhecendo a abrangência da espiritualidade católica, expressa em práticas como a lectio divina, a adoração ao Santíssimo, a oração das horas, a devoção a N. Senhora Mãe da Misericórdia e de um modo particular, a devoção a S. Teresinha do Menino Jesus, de quem procura seguir os passos na vida cristã.

Escravidão à Santíssima Virgem Maria
Ao mesmo tempo em que orava, a Comunidade dedicava-se ao estudo das Sagradas Escrituras e dos documentos da Igreja. E foi neste ambiente de aplicação, visando crescer na vida em Deus, que depois de estudar a Encíclica Redemptoris Mater, associada ao Tratado da Verdadeira Devoção a Virgem Maria, sentiu-se impulsionada a uma especial consagração a Jesus Cristo, na qualidade de escravos, pelas mãos de Maria. E assim, de forma solene, toda a Comunidade e seu futuro foram dados a Virgem Santíssima, em 08 de dezembro de 1998, em missa celebrada pelo Pe. Argemiro G. de Sá.

Entre 1997 e 1999, a convicção era de que o propósito divino superava suas expectativas de ser, num primeiro momento um grupo de oração paroquial, depois uma comunidade de serviços. De fato, a Comunidade realizava várias atividades evangelizadoras, encontros querigmáticos, cursos de formação, vigílias de adoração ao Santíssimo, eventos de massa no período do carnaval, plantões de atendimento de oração e aconselhamento individual, porém, compreendia que Deus queria algo que fosse além do simples compromisso de servir na evangelização.

Ser comunidade era a aspiração maior, que somada à ânsia por uma vida compartilhada, fazia crescer o enorme desejo pela santidade de vida, medida alta da vida cristã proposta na Lumem Gentium e tão apregoada por João Paulo II.

Comunidade de Vida, passo decisivo
O ano jubilar de 2000, inaugurou o período de discernimento que treze jovens mais envolvidos com a vida da Comunidade, começaram a fazer quanto à vocação Fanuel. Todos os meses este grupo se reunia para conversar, orar, compartilhar experiências e expectativas. Em meados daquele ano, a Comunidade promoveu um retiro vocacional envolvendo outros grupos interessados da Diocese, o que muito contribuiu para o passo seguinte, em 2001.

Três jovens, após séria reflexão, decidiram investir um ano de suas vidas na missão da Comunidade, iniciando no dia 05 de maio de 2001, o primeiro núcleo de vida fraterna em comum da Comunidade Fanuel, em missa celebrada na residência alugada para este fim. O compromisso firmado para um ano, na verdade, tornou-se uma fecunda experiência, que passou a imprimir em toda a obra da Comunidade os traços de um padrão de vida comunitária inspirado no estilo das primeiras comunidades cristãs.

Dom Décio Pereira
No mesmo ano a Comunidade recebeu a visita do Bispo de Santo André, D. Décio Pereira, de saudosa memória, que conheceu tanto a casa de evangelização, como a residência comunitária, dando sua bênção e estímulo pastoral e o decreto de permissão para guarda da reserva eucarística. Além disto, D. Décio orientou o iniciador da Comunidade a redigir as primeiras impressões sobre a vocação, o carisma, a missão e a forma de vida da Comunidade.

Comunidade de Aliança
A treze de maio de 2002, em missa celebrada pelo padre Vanderlei Nunes, delegado do Bispo na ocasião, iniciava-se a outra modalidade de vida desta vocação, chamada então de aliança, e a partir de 2007 de vida fraterna ordinária, contando com seis membros. Assim, a configuração dos modos de vivência do carisma da Comunidade Fanuel passou a ser uma realidade definida.

Assimilar isto não foi tão fácil. De um lado está o aspecto histórico, visto que se passaram muitos anos de escuta até este passo decisivo, do outro, a complexa mudança de paradigmas, que levou a Comunidade a um amadurecimento tal que a descaracterizou do corpo paroquial onde nasceu, levando-a a desvencilhar-se completamente daquela paróquia, em 23 de fevereiro de 2003.

Foi um período amargo, pois uma vez que havia se desvinculado da estrutura paroquial e encontrava-se desprovida do olhar paterno de D. Décio, que acabara de falecer, a Comunidade passou a sofrer perseguições que, longe de ameaçar a sua vida, fortaleceu-a, purificando suas reais motivações e propósitos.

Recomeço
A novidade expressa pelo carisma da Comunidade então tornou-se evidente, tanto para seus membros, que penetravam no mistério do chamado de Deus, como para quem estava de fora, sem compreender o sentido de sua existência no corpo diocesano.

Este foi um ano de perdas. Pessoas engajadas em seus serviços desligaram-se, portas de trabalhos missionários se fecharam, a estrutura de ministérios e serviços apostólicos foi reduzida, restando apenas o essencial.

Foi então, que o iniciador propôs à Comunidade um tempo de intercessão e escuta para compreender o propósito divino com esta situação. A Comunidade se recolheu em oração, em diálogo interno, o que foi extremamente benéfico. Ao mesmo tempo em que construía a capela em sua sede geral, adquirida aos poucos, ao longo dos últimos quatro anos, percebia a mão de Deus apontando para aquilo que definia como o aspecto específico do seu carisma.

O iniciador passou a entender que até então a Comunidade não estava vivendo a originalidade de seu carisma e que, embora, todos os passos tivessem sido importantes até aquele momento, a obra que se iniciaria a partir dali seria muito maior.

Células, uma visão
A compreensão de textos da Escritura como Marcos 6, 30-44, e Ageu 2, 2-9, por ele meditados há anos, começava a fazer sentido e confirmavam a aquisição da visão comunitária baseada na constituição de pequenos grupos multiplicadores, de relacionamento e evangelização, denominados “células”.

Além deste aspecto do relacionamento e comunhão fraterna, a sua primária motivação para o ser comunidade – o ardor pela nova evangelização – encontrou, na visão das células, o grande meio de realizar-se, visto que nos pequenos grupos todos os membros da Comunidade são equipados para o apostolado e mobilizados para missão de ganhar almas.

Dentro deste período de auto-análise, que foi de fevereiro de 2003 ao fim de 2005, a Comunidade intensificou seu esforço na formação dos membros, que estudaram como nunca a realidade das Novas Comunidades segundo os documentos eclesiais, e de um modo particular a natureza e a missão dos leigos, sobretudo através da Christifidelis Laici e outras fontes pós-conciliares.

Dom Nelson Westrupp, scj
Foi ainda neste período que D. Nelson Westrupp, scj, tornou-se Bispo de Santo André. Depois dos primeiros contatos com ele, este deu continuidade à decisão do antigo Bispo Auxiliar da Diocese, D. Airton José dos Santos, que havia estabelecido o Pe. Vanderlei Nunes como acompanhador eclesiástico da Comunidade, função que exerceu até janeiro de 2006.

Em junho de 2006 o iniciador abriu um ano de avaliação dos nove anos da Comunidade, em preparação à comemoração do seu 10º (décimo) aniversário. Chamou-se este processo de capítulo, um marco em sua história, pois definiu, com base nos anos vividos e no estudo das realidades eclesiais, aquilo que a Comunidade é, como ela vive e se organiza enquanto original forma vocacional.

Assim, descreve-se de forma sucinta a história dos primeiros anos da Comunidade Fanuel e seus antecedentes, testemunhando que esta obra é uma “nova forma de vida evangélica”, cujo carisma original é Ver e Fazer Ver a Face de Cristo, e cuja visão e propósito é ser uma família de Deus, onde cada membro seja um evangelizador, formando uma comunidade que cresça e se multiplique para o bem da Igreja, sempre partindo de uma contemplação orante e da vivência em pequenas células de comunhão e missão, reunindo famílias e celibatários, e servindo a Santa Igreja na variedade dos seus apostolados.

1 Comment
  1. O gloria,é muito bom saber que temos uma identidade especifica dentro da Igreja e um carater missionario.

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