CONDUZI MEU POVO, instruções para líderes carismáticos

By 18 de junho de 2018EBS - ESCRITO

Parte 2 – A ATIVIDADE DO ESPÍRITO
4 – Pentecostalismo
Texto base: At 19,1-6

Fazemos parte do “pentecostalismo”. Infelizmente esta expressão está muito ligada à realidade das seitas ditas pentecostais, tão abundantes em nosso país. Mas não é disso que fazemos parte. Não! Por pentecostalismo compreendemos nossa relação com o Pentecostes, com a efusão do Espírito Santo No AT Pentecostes era a “festa das primícias” e a “festa da colheita”. A primeira se dava no 50º dia após a Páscoa, quando os primeiros frutos da terra eram oferecidos a Deus. Providencialmente, a Igreja – nascida do lado aberto do Senhor na Cruz – foi manifestada às nações em Pentecostes. Na primeira Páscoa, Israel saiu do cativeiro para a liberdade, como nós fomos remidos na Cruz e Ressurreição do Senhor. No 50º deste acontecimento, a nova Páscoa (cristã), se deu o Pentecostes, a festa dos primeiros frutos da Igreja.

Pentecostes tornou-se para os primeiros cristãos a festa dos primeiros frutos dos cristãos, das primeiras comunidades. A Igreja é, assim, pentecostal ou carismática, porque o Espírito Santo é a sua alma vivificante e mola propulsora de sua missão. Ali, em Pentecostes (cf. At 2,1s) houve uma manifestação abundante do Espírito Santo, com a abundância dos carismas. Isto tornou-se uma característica da Igreja em seus primeiros séculos. Com o tempo a experiência pessoal e subjetiva do Espírito foi perdendo sua força e a Igreja enfatizou mais os elementos objetivos tais como a Santa Missa, os Sacramentos, a Doutrina.

Podemos nós, hoje, estar vivendo a outra dimensão do Pentecostes, isto é, a festa das últimas colheitas? Tivemos as primícias no Pentecostes e podemos estar vivendo agora a colheita final deste Pentecostes? Se sim, claro está de que a volta do Senhor Jesus está próxima.

Desde o início do século XX presenciamos este mover de Pentecostes, iniciado em meios não católicos, mas desde a década de 60 também na Igreja Católica, como já vimos em outro mês. As próprias células de evangelização igualmente são fruto do mover carismático (Pe. Michael Eivers, EUA – Pe. PiGi Perini, Itália). Neste mover é evidente a experiência pessoal com Jesus e com o Espírito Santo, o chamado “batismo no Espírito Santo”. As células, portanto, expressam, como a RCC, este mover do Espírito. Por isso, em nossas células é de extrema importância valorizarmos a experiência pessoal e subjetiva do Espírito Santo, a efusão ou batismo no Espírito Santo.

Mas tenhamos o cuidado para não ir além do pentecostalismo, acrescentando à genuína obra de Deus aquilo que é nosso (cuidado com modismos [atitudes, linguagens], novidades, criação de “clima pentecostal”, estimular as emoções como se estas fosse sinal da ação divina). Também devemos cuidar para não rejeitar a estrutura, as normas, o planejamento ou substituir a Santa Missa e outras atividades de oração (Grande Célula – Grupo de Oração – Adoração, outros) pela nossa célula, como se a unção nela experimentada bastasse para a vivência da fé cristã.

Para finalizar, tomemos o texto de At 10,1-8.17b-18.21.22.44-48.
Temos aqui uma reunião de oração na casa de um homem, com seus amigos mais íntimos (oikos), na qual se dá um poderoso derramamento do Espírito Santo sobre todos (como o que vivos em At 19,1-6). Uma Igreja viva, evangelizando, fazendo discípulos, se reunindo nas casas e fluindo no poder do Espírito Santo. Alvos são atraídos, são os convidados, amigos, parentes, como em uma célula. O que temos aqui muito se assemelha ao que testemunhamos em nossas células.

É uma graça para o mundo todo. Vivemos um novo mover, possivelmente por causa dos dias do fim, da “colheita final”. Por isso, nos abramos para viver esta graça de Pentecostes, com experiências autênticas, espontâneas do Espírito, que forma discípulos e evangelizadores eficazes.

3 – EBM 2018 – Junho

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