CONDUZI MEU POVO, instruções para líderes carismáticos

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Parte 2 – A ATIVIDADE DO ESPÍRITO
4 – Pentecostalismo
Texto base: At 19,1-6

Fazemos parte do “pentecostalismo”. Infelizmente esta expressão está muito ligada à realidade das seitas ditas pentecostais, tão abundantes em nosso país. Mas não é disso que fazemos parte. Não! Por pentecostalismo compreendemos nossa relação com o Pentecostes, com a efusão do Espírito Santo No AT Pentecostes era a “festa das primícias” e a “festa da colheita”. A primeira se dava no 50º dia após a Páscoa, quando os primeiros frutos da terra eram oferecidos a Deus. Providencialmente, a Igreja – nascida do lado aberto do Senhor na Cruz – foi manifestada às nações em Pentecostes. Na primeira Páscoa, Israel saiu do cativeiro para a liberdade, como nós fomos remidos na Cruz e Ressurreição do Senhor. No 50º deste acontecimento, a nova Páscoa (cristã), se deu o Pentecostes, a festa dos primeiros frutos da Igreja.

Pentecostes tornou-se para os primeiros cristãos a festa dos primeiros frutos dos cristãos, das primeiras comunidades. A Igreja é, assim, pentecostal ou carismática, porque o Espírito Santo é a sua alma vivificante e mola propulsora de sua missão. Ali, em Pentecostes (cf. At 2,1s) houve uma manifestação abundante do Espírito Santo, com a abundância dos carismas. Isto tornou-se uma característica da Igreja em seus primeiros séculos. Com o tempo a experiência pessoal e subjetiva do Espírito foi perdendo sua força e a Igreja enfatizou mais os elementos objetivos tais como a Santa Missa, os Sacramentos, a Doutrina.

Podemos nós, hoje, estar vivendo a outra dimensão do Pentecostes, isto é, a festa das últimas colheitas? Tivemos as primícias no Pentecostes e podemos estar vivendo agora a colheita final deste Pentecostes? Se sim, claro está de que a volta do Senhor Jesus está próxima.

Desde o início do século XX presenciamos este mover de Pentecostes, iniciado em meios não católicos, mas desde a década de 60 também na Igreja Católica, como já vimos em outro mês. As próprias células de evangelização igualmente são fruto do mover carismático (Pe. Michael Eivers, EUA – Pe. PiGi Perini, Itália). Neste mover é evidente a experiência pessoal com Jesus e com o Espírito Santo, o chamado “batismo no Espírito Santo”. As células, portanto, expressam, como a RCC, este mover do Espírito. Por isso, em nossas células é de extrema importância valorizarmos a experiência pessoal e subjetiva do Espírito Santo, a efusão ou batismo no Espírito Santo.

Mas tenhamos o cuidado para não ir além do pentecostalismo, acrescentando à genuína obra de Deus aquilo que é nosso (cuidado com modismos [atitudes, linguagens], novidades, criação de “clima pentecostal”, estimular as emoções como se estas fosse sinal da ação divina). Também devemos cuidar para não rejeitar a estrutura, as normas, o planejamento ou substituir a Santa Missa e outras atividades de oração (Grande Célula – Grupo de Oração – Adoração, outros) pela nossa célula, como se a unção nela experimentada bastasse para a vivência da fé cristã.

Para finalizar, tomemos o texto de At 10,1-8.17b-18.21.22.44-48.
Temos aqui uma reunião de oração na casa de um homem, com seus amigos mais íntimos (oikos), na qual se dá um poderoso derramamento do Espírito Santo sobre todos (como o que vivos em At 19,1-6). Uma Igreja viva, evangelizando, fazendo discípulos, se reunindo nas casas e fluindo no poder do Espírito Santo. Alvos são atraídos, são os convidados, amigos, parentes, como em uma célula. O que temos aqui muito se assemelha ao que testemunhamos em nossas células.

É uma graça para o mundo todo. Vivemos um novo mover, possivelmente por causa dos dias do fim, da “colheita final”. Por isso, nos abramos para viver esta graça de Pentecostes, com experiências autênticas, espontâneas do Espírito, que forma discípulos e evangelizadores eficazes.

3 – EBM 2018 – Junho

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3 – A evangelização carismática e a guerra espiritual
Texto base: At 16,16-18

Havia uma mulher [mediúnica, adivinha] tomada por um espírito maligno (pitão), sendo explorada financeiramente: “Fazia oráculos e obtinha muito lucro para seus patrões” (v. 16). Ela, com muitos elogios em público ao apostolado de São Paulo, chamou sua atenção e o incomodou, até que este discernisse que aquilo não vinha de Deus, mas era estratégia do mal para atrapalhar a missão. Então “voltou-se e disse ao espírito: ‘Eu te ordeno, no nome de Jesus Cristo, sai desta moça!’ E o espírito saiu no mesmo instante” (v.18).

A evangelização é um confronto não contra pessoas, mas contra realidades sobrenaturais (cf. Ef 6,12). A evangelização é salvação de almas e, portanto, guerra sobrenatural. Mas não devemos temer este confronto, pois “é o diabo que deve temer aqueles que rezam” (Santa Teresa D’Ávila).

O evangelizador ou líder cheio do Espírito Santo, bem como a célula cheia do Espírito Santo, em hipótese alguma deve temer esta guerra. Se está em Cristo, se está na unção, não tem o que temer. A Palavra nos ilumina: “Submetei-vos pois a Deus, mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós” (Tg 4,7).

A doutrina da Igreja é muito clara quanto à existência e à influência do maligno (ver CAT, 391.394). Ensina o Catecismo, ao explicar o pedido do Pai-Nosso livrai-nos do mal: “Nesta petição, o Mal não é uma abstração, mas designa uma pessoa, Satanás, o Maligno, o anjo que se opõe a Deus. O «Diabo» («diabolos») é aquele que «se atravessa» no desígnio de Deus e na sua «obra de salvação» realizada em Cristo” (n. 2851).

Por tudo isso é fundamental que conheçamos nosso inimigo e suas estratégias, sobretudo no que se refere às ideologias materialistas (comunismo, socialismo, “esquerdismo” etc.) e as falsas religiões, por meio das quais induz às pessoas ao erro e, assim, à condenação eterna. Mesmo com aparência do bem, as seitas desviam da única verdade capaz de salvar, Nosso Salvador Jesus Cristo. Se não O negam abertamente, reduzem-No, pois não creem em Sua divindade, ou igualam-No a outros mestres, profetas ou gurus.

Para alcançarmos as pessoas de nosso oikos que estão perdidas nestes falsos caminhos, temos de ter conhecimento da realidade que os cerca. Em segundo lugar, temos de ter uma visão equilibrada das coisas, evitando a todo custo criticar a religião do outro (pois certamente perderemos a oportunidade de ganhar sua alma), tampouco temer o que está no outro, temer a “contaminação espiritual” ao se relacionar com a pessoa. Por último, temos de nos preparar espiritualmente para lidar com as pessoas: jejuns, caminhadas de oração, penitências em favor dos alvos, recitação do terço etc.

Por fim, temos de explorar a força do discipulado. Ter a disposição em ministrar na vida de cada pessoa, sentar com elas, ensinar a Palavra, orar, ensinar a orar e a tratar das áreas sombrias de suas vidas.

2 – EBM 2018 – Abril – Clique aqui e baixe arquivo PDF